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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

ENEM - Questões sobre o Realismo

 


1. ENEM 2010

Capítulo III

Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que esta aqui na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja - primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços.

 

(ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993)

 

Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside:

a) no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.

b) no sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.

c) na referencia a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.

d) na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.

e) na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.

 

2. ENEM 2011

O nascimento da crônica

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.

Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.

 

(ASSIS, M. In: SANTOS, J .F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007)

 

Um dos traços fundamentais da vasta obra literária de Machado de Assis reside na preocupação com a expressão e com a técnica de composição. Em O nascimento da crônica, Machado permite ao leitor entrever um escritor ciente das características da crônica, como:

a) texto breve, diálogo com o leitor e registro pessoal de fatos do cotidiano.

b) texto ficcional curto, linguagem subjetiva e criação de tensões.

c) priorização da informação, linguagem impessoal e resumo de um fato.

d) linguagem literária, narrativa curta e conflitos internos.

e) síntese de um assunto, linguagem denotativa, exposição sucinta.

 

3. ENEM 2014

O Jornal do Commércio deu um brado esta semana contra as casas que vendem drogas para curar a gente, acusando-as de as vender para outros fins menos humanos. Citou os envenenamentos que tem havido na cidade, mas esqueceu de dizer, ou não acentuou bem, que são produzidos por engano das pessoas que mani-pulam os remédios. Um pouco mais de cuidado, um pouco menos de distração ou de ignorância, evitarão males futuros. Mas todo ofício tem uma aprendizagem, e não há benefício humano que não custe mais ou menos duras agonias. Cães, coelhos e outros animais são vítimas de estudos que lhes não aproveitam, e sim aos homens; por que não serão alguns destes, vítimas do que há de aproveitar aos contemporâneos e vindouros? Há um argumento que desfaz em parte todos esses ataques às boticas; é que o homem é em si mesmo um laboratório. Que fundamento jurídico haverá para impedir que eu manipule e venda duas drogas perigosas? Se elas matarem, o prejudicado que exija de mim a indenização que entender; se não matarem, nem curarem, é um acidente e um bom acidente, porque a vida fica.

 

(ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1967)

 

No gênero crônica, Machado de Assis legou inestimável contribuição para o conhecimento do contexto social de seu tempo e seus hábitos culturais. O fragmento destacado comprova que o escritor avalia o(a):

 

a) manipulação inconsequente dos remédios pela população.

b) uso de animais em testes com remédios desconhecidos.

c) fato de as drogas manipuladas não terem eficácia garantida.

d) hábito coletivo de experimentar drogas com objetivos terapêuticos.

e) ausência de normas jurídicas para regulamentar a venda nas boticas.

 

4. ENEM 2017

Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa.

Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero […].

Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.

 

(ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br Acesso em: 9 Out. 2015)

 

No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a perspectiva de Fortunato. O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do(a)

 

a) indignação face à suspeita do adultério da esposa.

b) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.

c) espanto diante da demonstração de afeto de Garcia.

d) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio.

e) superação do ciúme pela comoção decorrente da morte.

 

5. ENEM 2019

Inverno! inverno! inverno!

Tristes nevoeiros, frios negrumes da longa treva

boreal, descampados de gelo cujo limite escapa-nos

sempre, desesperadamente, para lá do horizonte,

perpétua solidão inóspita, onde apenas se ouve a voz

do vento que passa uivando como uma legião de lobos,

através da cidade de catedrais e túmulos de cristal na

planície, fantasmas que a miragem povoam e animam,

tudo isto: decepções, obscuridade, solidão, desespero

e a hora invisível que passa como o vento, tudo isto é o

frio inverno da vida.

Há no espírito o luto profundo daquele céu de bruma

dos lugares onde a natureza dorme por meses, à espera

do sol avaro que não vem.

 

POMPEIA, R. Canções sem metro. Campinas: Unicamp, 2013.

 

Reconhecido pela linguagem impressionista, Raul Pompeia desenvolveu-a na prosa poética, em que se observa a

a) imprecisão no sentido dos vocábulos.

b) dramaticidade como elemento expressivo.

c) subjetividade em oposição à verossimilhança.

d) valorização da imagem com efeito persuasivo.

e) plasticidade verbal vinculada à cadência melódica.

 

 

Gabarito:

1. A

2. A

3. A

4. D

5. E

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

ENEM - Questões sobre o Parnasianismo

 



1.ENEM 2009

Ouvir estrelas

“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo

perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

que, para ouvi-las, muita vez desperto

e abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto

a Via-Láctea, como um pálio aberto,

cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,

inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?” Que sentido

tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

 

(BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919)

 

Ouvir estrelas

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo

que estás beirando a maluquice extrema.

No entanto o certo é que não perco o ensejo

De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo

que mais eu gozo se escabroso é o tema.

Uma boca de estrela dando beijo

é, meu amigo, assunto p’ra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,

As estrelas que dizem? Que sentido

têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,

Pois só sabendo inglês se tem ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 

(TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961)

 

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que

 

a) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa.

b) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as ouvem e as entendem.

c) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de estruturas como “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.

d) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”

e) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas.

 

2. ENEM 2013

Mal secreto

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’aIma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

(CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasilia: Alhambra, 1995.)

Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que:


a) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.
b) o sofrimento intimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social.
c) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja.
d) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo.
e) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social.

 

3.ENEM 2014

Abrimos o Brasil a todo o mundo: mas queremos que o Brasil seja Brasil! Queremos conservar a nossa raça, a nossa história, e, principalmente, a nossa língua, que é toda a nossa vida, o nosso sangue, a nossa alma, a nossa religião.

 

(Olavo Bilac. Últimas conferências e discursos.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1927)

 

Nesse trecho, Olavo Bilac manifesta seu engajamento na constituição da identidade nacional e linguística, ressaltando a:

 

a) transformação da cultura brasileira.

b) religiosidade do povo brasileiro.

c) abertura do Brasil para a democracia.

d) importância comercial do Brasil.

e) autorreferência do povo como brasileiro.

 

4. ENEM 2015

A pátria

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera,

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha...

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás pais nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

 

(BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929)

 

Publicado em 1904, o poema A pátria harmoniza-se com um projeto ideológico em construção na Primeira República. O discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida em que:

a) a paisagem natural ganha contornos surreais, como o projeto brasileiro de grandeza.

b) a prosperidade individual, como a exuberância da terra, independe de políticas de governo.

c) os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados também aos ícones nacionais.

d) a capacidade produtiva da terra garante ao país a riqueza que se verifica naquele momento.

e) a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de bem-estar social experimentado.

 

 

Gabarito:

1.D

2.A

3.E

4.B

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020


 

1. ENEM 2011

Nascido em 1935, José Francisco Borges ou J. Borges, como prefere ser chamado, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Considerado por Ariano Suassuna o maior gravador popular do país, o artista foi um dos ilustradores do calendário da ONU do ano de 2002. Autodidata, J. Borges publicou seu primeiro cordel em 1964, intitulado O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, seguido de O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, cuja publicação deu início à sua carreira de gravador. Na década de 1970, artistas plásticos, intelectuais e marchands passaram a encomendar suas xilogravuras, o que levou as imagens a ganharem cada vez mais autonomia em relação ao cordel. Desde então, o itinerário do artista vem se fortalecendo pela transmissão dos conhecimentos da xilogravura às novas gerações de sua família, com quem mantém a Casa de Cultura Serra Negra, no sertão pernambucano.



A xilogravura é um meio de expressão de grande força artística e literária no Brasil, especialmente no Nordeste brasileiro, onde os artistas populares talham a madeira, transformando-a em verdadeiras obras de arte. Com total liberdade artística, hoje já conquistaram espaço entre os diversos setores culturais do país, retratando cenas:

a) com temas de personagens do folclore popular, crenças e futilidades dos mais necessitados.

b) das grandes cidades, com a preocupação de uma representação realista da figura humana nordestina.

c) com personagens fantasiosos, beatos e cangaceiros presentes nas crenças da população nordestina.

d) de conteúdo histórico e político do Nordeste brasileiro, com a intenção de valorizar as diferenças sociais.

E) do seu próprio universo, revelando personagens com aparência humilde em vestes requintadas.


2. ENEM 2013

História da máquina que faz o mundo rodar

Cego, aleijado e moleque,

Padre, doutor e soldado,

Inspetor, juiz de direito,

Comandante e delegado,

Tudo, tudo joga o dinheiro

Esperando bom resultado.

Matuto, senhor de engenho,

Praciano e mandioqueiro,

Do agreste ao sertão

Todos jogam seu dinheiro

Se um diz que é mentiroso

Outro diz que é verdadeiro.

Na opinião do povo

Não tem quem possa mandar

Faça ou não faça a máquina

O povo tem que esperar

Por que quem joga dinheiro

Só espera mesmo é ganhar.

Assim é que muitos pensam

Que no abismo não cai

Que quem não for no Juazeiro

Depois de morto ainda vai,

Assim também é crença

Que a dita máquina sai.

Quando um diz: ele não faz,

Já outro fica zangado

Dizendo: assim como Cristo

Morreu e foi ressuscitado

Ele também faz a máquina

E seu dinheiro é lucrado.

 (CRUZ, A. F.)

No fragmento, as escolhas lexicais remetem às origens geográficas e sociais da literatura de cordel. Exemplifica essa remissão o uso de palavras como:

a) comandante, delegado, dinheiro, resultado, praciano.

b) agreste, sertão, Juazeiro, matuto, senhor de engenho.

c) cego, aleijado, moleque, soldado, juiz de direito.

d) mentiroso, verdadeiro, joga, ganhar.

e) morto, crença, zangado, Cristo.

 

3. ENEM 2013

O cordelista por ele mesmo

Aos doze anos eu era

forte, esperto e nutrido.

Vinha do Sítio  

muito alegre e divertido

vender cestos e balaios

que eu mesmo havia tecido.

Passava o dia na feira

e à tarde regressava

levando umas panelas

que minha mãe comprava

e bebendo água salgada

nas cacimbas onde passava.

(BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel. Porto Alegre: LP&M, 2003 - fragmento)

Literatura de cordel é uma criação popular em verso, cuja linguagem privilegia, tematicamente, histórias de cunho regional, lendas, fatos ocorridos para firmar certas crenças e ações destacadas nas sociedades locais. A respeito do uso das formas variantes da linguagem no Brasil, o verso do fragmento que permite reconhecer uma região brasileira é:

a) “levando umas panelas”.

b) “Passava o dia na feira”.

c) “muito alegre e divertido”.

d) “nas cacimbas onde passava”.

e) “que minha mãe comprava”.


4. ENEM 2014

Cordel resiste à tecnologia gráfica

O Cariri mantém uma das mais ricas tradições da cultura popular. É a literatura de cordel, que atravessa os séculos sem ser destruída pela avalanche de modernidade que invade o sertão lírico e telúrico. Na contramão do progresso, que informatizou a indústria gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte, e a Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em suas oficinas, velhas máquinas para impressão dos seus cordéis.

A chapa para impressão do cordel é feita à mão, letra por letra, um trabalho artesanal que dura cerca de uma hora para confecção de uma página. Em seguida, a chapa é levada para a impressora, também manual, para imprimir. A manutenção desse sistema antigo de impressão faz parte da filosofia do trabalho. A outra etapa é a confecção da xilogravura para a capa do cordel.

As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeira. A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos índios, como uma atividade extra-catequese, partindo do princípio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, sujeita aos maus pensamentos, ao pecado. A xilogravura antecedeu ao clichê, placa fotomecanicamente gravada em relevo sobre metal, usualmente zinco, que era utilizada nos jornais impressos em rotoplanas.

 (VICELMO, A.)

A estratégia gráfica constituída pela união entre as técnicas da impressão manual e da confecção da xilogravura na produção de folhetos de cordel:

a) realça a importância da xilogravura sobre o clichê.

b) oportuniza a renovação dessa arte na modernidade.

c) demonstra a utilidade desses textos para a catequese.

d) revela a necessidade da busca das origens dessa literatura.

e) auxilia na manutenção da essência identitária dessa tradição popular.


5. ENEM 2014

A literatura de cordel é ainda considerada, por muitos, uma literatura menor. A alma do homem não é mensurável e — desde que o cordel possa exprimir a história, a ideologia e os sentimentos de qualquer homem — vai ser sempre o gênero literário preferido de quem procura apreender o espírito nordestino. Os costumes, a língua, os sonhos, os medos e as alegrias do povo estão no cordel. Na nossa época, apesar dos jornais e da TV — que poderiam ter feito diminuir o interesse neste tipo de literatura — e da falta de apoio econômico, o cordel continua vivo no interior e em cenáculos acadêmicos.

A literatura de cordel, as xilogravuras e o repente não foram apenas um divertimento do povo. Cordéis e cantorias foram o professor que ensinava as primeiras letras e o médico que falava para inculcar comportamentos sanitários. O cordel e o repente fazem, muitas vezes, de um candidato o ganhador da banca de deputado. E assim, lendo e ouvindo, foi-se formando a memória coletiva desse povo alegre e trabalhador, que embora calmo, enfrenta o mar e o sertão com a mesma valentia.

(BRICKMANN, L. B. E de repente foi o cordel)

O gênero textual cordel, também conhecido como folheto, tem origem em relatos orais e constitui uma forma literária popular no Brasil. A leitura do texto sobre a literatura de cordel permite:

a) descrever esse gênero textual exclusivamente como instrumento político.

b) valorizar o povo nordestino, que tem no cordel sua única forma de expressão.

c) ressaltar sua importância e preservar a memória cultural de nosso povo.

d) avaliar o baixo custo econômico dos folhetos expostos em barbantes.

e) informar aos leitores o baixo valor literário desse tipo de produção.

 


Gabarito:

1. C

2. B

3. D

4. E

5. C

quarta-feira, 15 de julho de 2020

A música e a poesia no ENEM



MÚSICA E LITERATURA NO ENEM

A música e a poesia têm sido cada vez mais cobradas nas provas do ENEM, mas o que esses dois gêneros têm em comum?

A forma. Isso mesmo, diferentemente das crônicas e dos textos jornalísticos, por exemplo, a música é estruturada em versos e estrofes, assim como grande parte das obras literárias.



Dessa forma, alguns aspectos devem ser levados em consideração na hora de responder as questões que envolvem letras de música e poesias.

Primeiramente, analise o título. Através dele é possível ter uma prévia do assunto que será abordado.

Preste atenção também na fonte: ela traz  informações a respeito da data e do autor da obra, o que facilitará muito para identificarmos aspectos que são inerentes a determinados autores e períodos.

O próximo passo é ler o texto analisando o tema geral, partindo então, para o específico. Por exemplo: se a música fala a respeito do amor como tema geral, qual aspecto específico está sendo abordado? a realização do amor? a decepção amorosa?

Além, disso, identifique:

Qual o objetivo do autor ao escrever aquele texto?

Qual a mensagem principal?

Houve algum tipo de crítica?

Outro diferencial na música e na poesia é que nelas, fala-se em EU-LÍRICO, que nada mais é do que a VOZ DO POEMA.

É possível também, que nos textos destes gêneros sejam encontradas figuras de linguagem.

Apesar de apresentar alguns aspectos diferentes, a música e a poesia devem ser interpretadas como qualquer outro texto.

Algumas provas do ENEM também utilizam a música como texto motivador para a elaboração da redação. Nesse caso, a análise é a mesma. Avalie o texto como se estivesse resolvendo uma questão de interpretação.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Questões sobre o Trovadorismo

Questões sobre o Trovadorismo


1. Unifesp

Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia de Guilhade.

“Un cavalo non comeu
á seis meses nen s’ergueu
mais prougu’a Deus que choveu,
creceu a erva,
e per cabo si paceu,
e já se leva!


Seu dono non lhi buscou
cevada neno ferrou:
mai-lo bon tempo tornou,
creceu a erva,
e paceu, e arriçou,
e já se leva!

Seu dono non lhi quis dar
cevada, neno ferrar;
mais, cabo dum lamaçal
creceu a erva,
e paceu, e arriç’ar,
e já se leva!”


CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. Harmonia Mundi, USA, 1995.


A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de:

a) Escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo, que dele não cuidara, mas graças ao bom tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho.

b) Amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu graças à chuva e ao bom tempo.

c) Escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, alimentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o maltratava.

d) Amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se.

e) Maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixando-o entregue à própria sorte para obter alimento.

https://www.youtube.com/watch?v=mtpeZzDjdqc



2. Ufam

Leia o poema abaixo, de autoria de D. Dinis, rei de Portugal, antes de responder à questão abaixo:

“En gran coita, senhor,
que pior que mort’é,
vivo, per boa fé,
e polo voss’amor
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
Vi polo meu gran mal,
e melhor me será
de morrer por vós já
e, pois me Deus non val,
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
Polo meu gran mal vi,
e mais me val morrer
ca tal coita sofrer,
pois por meu mal assi
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
Vi por gran mal de mi,
pois tam coitad’and’eu.”


A respeito do poema acima fazem-se as seguintes afirmativas:

I.É uma cantiga de escárnio, pois o poeta ridiculariza a mulher amada.

II.É uma cantiga de amigo, pois o eu lírico é feminino.

III. Possui versos paralelísticos, como “Vi polo meu gran mal” e “Polo meu gran mal vi”.

IV.É uma cantiga de amor, pois o eu lírico, além de ser masculino, sofre intensamente um amor impossível.

V.É uma cantiga de refrão, o qual possui a particularidade de ver o seu sentido completado na estrofe seguinte.

VI.É uma cantiga de maldizer, pois o poeta não se conforma com o fato de não conquistar a mulher que ama.


Estão corretas:

a) Apenas III e VI.

b) Apenas II e III.

c) Apenas II e V.

d) Apenas I e V.

e) III, IV e V.


3. PSS/UFPA-2007

Leia atentamente o texto abaixo, considerando a sua temática e forma:

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
e ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
e ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
e ai Deus, se verrá cedo!


Se vistes meu amado,
por que ei gram cuidado!
e ai Deus, se verrá cedo! (Martim Codax)

(In: NUNES, José Joaquim. Cantigas […]. Lisboa: Centro do Livro Brasileiro, 1973. v. 2, p. 441.)

Acerca do poema, é CORRETO afirmar:

a) O uso de refrão e o paralelismo justificam a classificação como cantiga de amor.

b) A referência à natureza é meramente convencional, não expressando intimidade afetiva.

c) A expressão do sofrimento amoroso — “por que ei gram cuidado!” — está de acordo com os padrões da cantiga de amor.

d) A enamorada, saudosa, dirige-se às ondas em busca de notícias do amigo que tarda.

e) Versos como “se vistes meu amado!” traduzem uma atitude de vassalagem amorosa.



4. UNIFAP-2007

Sobre as cantigas de escárnio do trovadorismo português, é correto afirmar que

a) apresentam interesse, sobretudo histórico através da voz lírica feminina.

b) revelam detalhes da vida íntima da aristocracia através das convenções do amor cortês.

c) apresentam uma linguagem velada, sem deixar de lado o humor sobre a vida social da época.

d) utilizam-se de sátiras diretas, revelando a vida campesina e urbana.

e) fazem a crítica rude, direta, muitas vezes enveredando para a obscenidade.


5. PROSEL/UEPA-2006

Leia com atenção, os textos A e B para avaliar se são corretas as afirmativas que se lhe seguem.

Texto A
“Per ribeira do rio
vi remar o navio,
e sabor hei da ribeira.

Per ribeira do alto
Vi remar o barco
E sabor hei da ribeira.

Vi remar o navio
I vai o meu amigo
E sabor hei da ribeira. (…)

Texto B
“Dizia la fremosinha
ay adeus, val!
Com’estou d’amor ferida,
Ay deus, val!

Dizia la bem talhada:
Ay deus, val!
Com’estou d’amor coytada
Ay deus, val! (…)

Sabor hei – estou contente
Alto – rio
Val – valha

Apud BELLEZI, Clenir. Arte Literária Brasil – Portugal.

I.Tanto no texto A quanto no texto B estão presentes eu-líricos femininos.

II. O sentimento amoroso em A e B exemplifica a noção de “coyta d’amor” (sofrimento amoroso), cultivada, em seus versos, pelos trovadores.

III. O texto A é uma Cantiga de Amor e o B uma Cantiga de Amigo.

IV. Ambos os textos exemplificam a lírica amorosa do Medievalismo literário em Portugal.

São corretas somente:

a) I e IV

b) I e II

c) II e III

d) I e III

e) III e IV


6. PROSEL/UEPA-2007

Texto I
Aquestas noites tão longas
Que Deus fez em grave dia
Por mi, por que as non
Dormio
E por que as non fazia
No tempo que meu amigo
Soia falar comigo

Por que as fez Deus tan
Grand
Non poss’eu dormir, coitada!
E de como son sobejas,
Quisera – m’outra vegada
No tempo que meu amigo
Soia falar comigo

Por que Deus fez tan
Grandes,
Sem mesura e desiguaaes,
E as eu dormir non posso?
Sossegada
Por que as non fez ataes,
No tempo que meu amigo
Soia falar comigo

(Julião Bolseiro)

Texto II
Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama
A sentir tanta coisa
Que a gente não pode
Explicar
Quando ama.

O calor das cobertas
Não me aquece direito
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.

Volta, vem viver outra vez
A meu lado,
Já não posso dormir
Sossegada
Pois meu corpo está
Acostumado.

(Adaptado de canção de Lupicínio Rodrigues, interpretada por Gal Costa).

A respeito dos textos I e II, julgue as afirmativas a seguir.

I.São confissões amorosas de um eu lírico feminino que ficou sozinho.
II. Falam do amor idealizado na forma de vassalagem comum à Idade Média.
III. Têm raízes populares, de tal forma que o primeiro revela a origem portuguesa das manifestações contemporâneas semelhantes às do segundo.
IV. O segundo tem características comuns às cantigas de amigo que o primeiro exemplifica.


São corretas:

a) I, II, III e IV.

b) I e IV, somente

c) I, III e IV, somente.

d) I, II e III, somente.

e) II e III, somente.



7. PRISE/UEPA-2006

Leia a Cantiga reproduzida abaixo e, em seguida, responda à questão proposta no comando.

Cantiga

Afonso Sanches

Dizia la fremosinha:
“ai, Deus, vai!
Com’estou d’amor ferida!
ai, Deus, vai!

Dizia la bem talhada:
“ai, Deus, vai!
Com’estou d’amor coitada!
ai, Deus, vai!

Com’estou d’amor ferida!
ai, Deus, vai!
Nom vem o que bem queria!
ai, Deus, vai!

Com’estou d’amor coitada!
ai, Deus, vai!
Nom vem o que muit’amava!
ai, Deus, vai!”

In Elsa Gonçalves. A lírica galego-portuguesa. Lisboa. Editorial Comunicação, 1983.

Sobre a cantiga acima, de D. Afonso Sanches, é correto afirmar:

a) A voz que fala na cantiga é do homem apaixonado que sofre por amor e dirige-se a Deus.

b) A fremosinha (formosinha) lamenta seu sofrimento pela ausência do amado.

c) O paralelismo “ai, Deus, vai! (ai, valha-me Deus!) é muito comum nas cantigas de amor medievais.

d) O homem sente-se muito ferido pela não correspondência amorosa da fremosinha (formosinha).


8. UFRS

Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal:

a) nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.

b) nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão.

c) a influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.

d) durante o trovadorismo, ocorre a separação entre poesia e música.

e) muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.


9. PUC-RS

O paralelismo, uma técnica de construção literária nas cantigas trovadorescas, consistiu em:

a) unir duas ou mais cantigas com temas paralelos e recitá-las em simultaneidade.

b) um conjunto de estrofes ou um par de dísticos em que sempre se procura dizer a mesma ideia.

c) apresentar as cantigas, nas festas da corte, sempre com o acompanhamento de um coro.

d) reduzir todo o refrão a um dístico.

e) pressupor que há sempre dois elementos paralelos que se digladiam verbalmente.


10. UFMG

Interpretando historicamente a relação de vassalagem entre homem amante / mulher amada, ou mulher amante/ homem amado, pode-se afirmar que:

a) o Trovadorismo corresponde ao Renascimento.

b) o Trovadorismo corresponde ao movimento humanista.

c) o Trovadorismo corresponde ao Feudalismo.

d) o Trovadorismo e o Medievalismo só poderiam ser provençais.

e) tanto o Trovadorismo como Humanismo são expressões da decadência medieval.



Gabarito:


1. A

2. E

3. D

4. C

5. A

6. C

7. B

8. D

9. B

10.C