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quinta-feira, 21 de maio de 2020

A concordância verbal

A concordância verbal

A concordância verbal é a relação que se estabelece entre o sujeito e o verbo. Sendo assim, quando o sujeito está no singular, o verbo deve ficar no singular e quando  está no plural, o verbo também fica no plural.

Regras para o sujeito simples

Sujeito coletivo

Em geral, o verbo fica no singular.

A multidão manteve a tranquilidade.

Se o coletivo estiver especificado, o verbo pode ser conjugado no singular ou no plural.

A multidão de fãs manteve a tranquilidade.
A multidão de fãs mantiveram a tranquilidade.


 


Coletivos partitivos

 

O verbo pode ser usado no singular ou no plural em coletivos partitivos,  como "a maioria de", "a maior parte de", "grande número de".
Grande número dos fãs se afastou.
 
Grande número dos fãs se afastaram.

Expressões "mais de", "menos de", "cerca de"

 

O  verbo concorda com o numeral.
Mais de um cliente quis trocar as mercadorias.
Mais de duas professoras chegaram antes do horário.

Nos casos em que “mais de” é repetido indicando reciprocidade, o verbo vai para o plural.
Mais de uma criança se abraçaram.


Nomes próprios

 

Com nomes próprios,  deve-se observar  a presença ou não de artigos.
Os Estados Unidos influenciam o mundo.
 
Estados Unidos influencia o mundo.

Pronome relativo "que"

 

O verbo deve concordar com o antecedente do pronome “que”.
Fui eu que fiz.
Foi ele que fez.

 

Pronome relativo "quem"

 

O verbo pode ser conjugado na terceira pessoa do singular ou pode concordar com o antecedente do pronome "quem".
Fui eu quem comprou. 

Fui eu quem comprei.


Expressão "um dos que"

 

O  verbo pode ser conjugado no singular ou no plural.
Ele foi um dos que mais brincou.
 
Ele foi um dos que mais brincaram.


Regras para o sujeito composto

Sujeitos formados por sinônimos

 

O verbo pode  ir para o plural ou  ficar no singular e concordar com o núcleo mais próximo.
Força e determinação destacaram aquela gerência.
 
Força e determinação destacou aquela gerência.

Sujeito formado por palavras em gradação e enumeração

 

O verbo pode flexionar para o plural ou pode concordar com o núcleo mais próximo.
Um mês, um ano, uma década de empenho  não supriu a saúde.
 
Um mês, um ano, uma década de empenho  não supriram a saúde.

Sujeito formado por pessoas gramaticais diferentes

 

O  verbo vai para o plural e concorda com a pessoa, por ordem de prioridade.
Eu, tu e Samanta só chegaremos à tarde.
(eu, 1.ª pessoa + tu, 2.ª pessoa + ela, 3.ª pessoa), ou seja, a 1.ª pessoa do singular tem prioridade e, no plural, ela equivale a nós, ou seja, "nós chegaremos".
Janice e eu conseguimos comprar um apartamento.
(eu, 1.ª pessoa + Janice, 3.ª pessoa). Aqui também é a 1.ª pessoa do singular que tem prioridade. No plural, ela equivale a nós, ou seja, "nós conseguimos".

Sujeitos ligados por "ou"

 

Os verbos ligados pela partícula "ou" vão para o plural quando a ação verbal estiver se referindo a todos os elementos do sujeito.
Balas  ou chocolate desagradam ao menino.

Quando a partícula “ou” é utilizada para corrigir ou retificar,  o verbo concorda com o último elemento.
A menina ou as meninas ganharam muitos presentes.

Quando a ação verbal é aplicada a apenas um dos elementos, o verbo permanece no singular.
Larissa  ou Manoela ganhará o prêmio.

Sujeitos ligados por "nem"

 

Quando os sujeitos são ligados por "nem", o verbo vai para o plural.
Nem grito nem rebeldia são bem recebidos.

Sujeitos ligados por "com"

 

Quando apresentar sentido de "e", o verbo vai para o plural.
O diretor com seus convidados chegaram às 6 horas.

Mas, quando "com" representar “em companhia de”, o verbo concorda com o antecedente e o segmento "com" é separado por vírgulas:
O padeiro, com todos os auxiliares, resolveu mudar a data da competição.

Sujeitos ligados por "não só, mas também", "tanto, quanto", "não só, como"

 

O  verbo vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo.
Tanto Rita como Marina participaram da mostra.
Tanto Rita como Marina participou da mostra.

Partícula "se"

 

Quando  a palavra "se" é índice de indeterminação do sujeito, o verbo deve ser conjugado na 3.ª pessoa do singular.
Confia-se em todos.

Quando a  palavra "se" é partícula apassivadora, o verbo deve ser conjugado concordando com o sujeito da oração.
Construiu-se uma fábrica.
Construíram-se novas fábricas.

 

Verbos impessoais

 

Sempre são conjugados na 3.ª pessoa do singular.
Havia muitos convidados  naquela festa.


Sujeito seguido por "tudo", "nada", "ninguém", "nenhum", "cada um"


quarta-feira, 8 de abril de 2020

A colocação pronominal



Embora na língua falada a colocação dos pronomes não seja tão respeitada, algumas normas devem ser observadas, sobretudo, na língua escrita.

A Colocação Pronominal respeita a três possíveis posições 
que os pronomes átonos me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, 
lhes podem ocupar na oração:



Próclise - o pronome é colocado antes do verbo.

Mesóclise - o pronome é colocado no meio do verbo.

Ênclise - o pronome é colocado depois do verbo


O uso da próclise

Orações com expressões negativas, que contenham palavras tais como não, ninguém, nunca.

Exemplos:

Não o vi aqui.

Nunca o encontrei assim.

Não se esqueça de mim.


Pronomes relativos, indefinidos ou demonstrativos.

Exemplos: 

Foi ela que o encontrou.

Eles lhes deram bons conselhos.

Isso me lembra minha avó.

Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.

Poucos te deram a oportunidade.

Verbos quando antecedidos por advérbios ou expressões adverbiais, exceto quando houver vírgula depois do advérbio, uma vez que dessa forma o advérbio deixa de atrair o pronome.

Exemplos:

Meus amigos me disseram que você viria aqui hoje.

Agora se negam a ajudar.


Orações exclamativas e orações que exprimam desejo de que algo venha a acontecer.

Exemplos:

Que Deus nos dê forças.

Patricia me dê a boa notícia.


Orações com conjunções subordinativas.

Exemplos:

Embora se sentisse cansada, saiu com as amigas.

Conforme lhe disse, hoje vou dormir mais cedo.

Soube que me ajudariam.


Verbo no gerúndio regido da preposição em.

Exemplos:

Em se tratando de ajuda, ele está sempre disposto. 

Em se decidindo pelo churrasco, eu trago o refrigerante. 


Orações interrogativas.

Exemplos:

Quando te deram a promoção?

Quem te chamou?

Quem te fez a venda?


Uso da Mesóclise

A mesóclise ocorre apenas com verbos do Futuro do Presente ou do Futuro do Pretérito. Se houver palavra atrativa, dá-se preferência ao uso da Próclise.

Exemplos:

Orgulhar-me-ei dos meus resultados.

Orgulhar-me-ia dos meus resultados.

Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento aqui no nosso bairro.


Uso da Ênclise

Quando o uso da Próclise e da Mesóclise não for possível, utiliza-se a ênclise. A colocação de pronome depois do verbo é atraída pelas seguintes situações:

Verbo no imperativo afirmativo.

Exemplos:

Depois de terminar, avise-nos.

Para começar, tragam-me a lista!

Quando eu avisar, calem-se todos


Verbo no infinitivo impessoal.

Exemplos:

Gostaria de abraçar-te a minha maneira.

O seu maior sonho é formar-se.

Não era minha intenção machucar-te.


Verbo inicia a oração.

Exemplos:

Fiz-lhe a pessoa mais amada do mundo.

Cheguei e surpreendi-me com a sua presença.

Vou-me embora agora mesmo.

Verbo no gerúndio (sem a preposição em, pois quando regido pela preposição em deve ser utilizada a Próclise).

Exemplos:

Leve seus dias encantando-me com as suas surpresas.

Faço sempre planos diferentes experimentando-lhes estratégias novas. 

Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.


Com Locução Verbal

Quando o verbo principal for constituído por um particípio

a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. 

Exemplos:

Haviam-me deixado na festa. 

Foi-lhe dito como deveria agir.

Tinha-lhe feito um favor se não tivesse sido ingrato.


Se antes da locução verbal houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo auxiliar.

Exemplos: 

Não me haviam convidado para a festa.

Não lhe devo dizer nada.





Agora vamos praticar?

1. ENEM

O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo.

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1988.)

“Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (...)”.

(CEGALLA. Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.)

Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos:

a) Condenam essa regra gramatical.
b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
c) Criticam a presença de regras na gramática.
d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes.
e) Relativizam essa regra gramatical.


2. UFSM-RS

Uma revista utilizou em sua capa a seguinte frase, típica da linguagem coloquial:

“Me aqueça neste inverno”.

Nessa frase, a colocação pronominal está em desacordo com a norma culta, que estabelece: “É proibido iniciar período com pronome oblíquo”.

Se forem feitas alterações na estrutura da frase, qual delas estará também em desacordo com a norma culta?

a) Quero que me aqueça neste inverno.
b) É preciso que me aqueça neste inverno.
c) Quando me aquecerá neste inverno?
d) Aquecer-me-á no inverno?
e) Não aqueça-me neste inverno. 


3. OMEC

Assinale a frase em que há pronome enclítico:

a) Far-me-ás um favor? 
b) Nada te direi a respeito. 
c) Convido-te para a festa. 
d) Não me fales mais nisso. 
e) Dir-se-ia uma incoerência. 


4. MACKENZIE 

Assinale a alternativa que apresenta erro de colocação pronominal:

a) Você não devia calar-se. 
b) Não lhe darei qualquer informação. 
c) O filho não o entendeu. 
d) Se apresentar-lhe os pêsames, faça-o discretamente. 
e) Ninguém quer aconselhá-lo. 


5. MED. SANTO ANDRÉ 

Assinale a alternativa em que todos os pronomes pessoais estão colocados corretamente, segundo o uso clássico da língua portuguesa:

a) Eu o vi, não lhe falei, darei-te o livro. 
b) Eu o vi, falei-lhe, nada lhe direi. 
c) Nada dir-lhe-ei, não o estimo, Deus ajude-nos. 
d) Deus nos ajude! Não quero te ofender, mas vai-te embora. 
e) Me dá o livro, que eu te devolvo assim que o ler. 


Gabarito:

1.E

2.E

3.C

4.D

5.B



segunda-feira, 5 de junho de 2023

O agente da passiva


Agente da Passiva é o termo que mostra quem ou o que pratica  a ação de um verbo na voz passiva. O agente da passiva vem sempre depois de preposição.

Vamos relembrar os tipos de vozes dos verbos:

Juliano comprou a sobremesa.

A sobremesa foi comprada por Juliano.

Nessa orações, o verbo comprar aparece na voz ativa (comprou) e na voz passiva (foi comprada). Na segunda oração, por Juliano é o agente da passiva.



A voz passiva é formada por sujeito paciente + verbo auxiliar + verbo principal no particípio + agente da passiva. Dessa forma:

Sujeito paciente: a sobremesa
verbo auxiliar: foi
Verbo principal no particípio: comprada
Agente da passiva: por Juliano

Há três tipos de vozes verbais: ativa, passiva e reflexiva.

 Exemplos:

Compramos  um apartamento. (voz ativa)

O apartamento foi comprado por nós. (voz passiva)

A menina pintou-se toda com tinta. (voz reflexiva)

Transformação da voz ativa em voz passiva

Para transformar uma oração que está na voz ativa em uma oração cuja voz seja passiva, siga a sequência:

Transforme o sujeito em agente da passiva;

Transforme o verbo em locução verbal (verbo auxiliar + verbo principal no particípio).

Como funciona na prática:

Voz ativa:

Os professores homenagearam os antigos diretores.

Sujeito: os professores
Verbo transitivo: homenagearam
Objeto direto: os antigos diretores

Os antigos diretores foram homenageados pelos professores.

Sujeito: os antigos diretores
Locução verbal: foram homenageados
Agente da passiva: pelos professores

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Regência nominal e regência verbal


 

Regência Nominal


É a relação entre os nomes e seus complementos. Essa relação é estabelecida através de preposições.

O bacharel em Direito pode prestar concursos. (bacharel em e não bacharel de)

 

Tenho horror às aranhas.  (e não “Tenho horror de aranhas.”)

 

Essa resposta é compatível com a pergunta.  (e não “Essa resposta  é compatível a pergunta”.)

 





Regência Verbal

É  a parte da língua que estuda a relação entre os verbos e os termos que se seguem a eles e completam o seu sentido.

Os verbos são os termos regentes, e  os objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os termos regidos.

 

Assistir

Com o sentido de ver exige preposição:

Que tal assistirmos ao jogo?

 

Com o sentido de dar assistência não exige preposição:

Sempre assistiu pessoas mais carentes.

 

Com o sentido de pertencer exige preposição:

Assiste aos prejudicados o direito de processo judicial.

 

 

Chegar

É  regido pela preposição “a”:

Chegamos ao local marcado.

 

Essa é a forma padrão. Mas, nas coversas informais, podemos observar a forma coloquial:  Chegamos no local marcado.

 

 

Custar

Com o sentido de ser custoso exige preposição:

Aquela decisão custou ao amigo.

 

Apresentando o sentido de valor não exige preposição:

 Aquela coleção custou caro.

 

Obedecer

O verbo obedecer é transitivo indireto, portanto, exige preposição:

Obedeça ao supervisor!

Na linguagem informal,   é usado como verbo transitivo direto: Obedeça o supervisor!

 

 

Proceder

  Apresentando o sentido de fundamento é verbo intransitivo:

Essa sua dúvida não procede.

      Apresentando o sentido de origem exige preposição:

Essa sua dúvida procede de outras situações.

 

Visar

Apresentando o sentido de objetivo exige preposição:

Visamos ao cargo.

 

Na linguagem  coloquial, encontramos o verbo  sem preposição, ou seja, como verbo transitivo direto: Visamos o cargo.

 

Apresentando  o sentido de mirar não exige preposição:

O atirador visou o alvo à distância.

 

 

Esquecer

O verbo esquecer é transitivo direto, portanto, não exige preposição:

Esqueci o meu livro de história.

 

Na  forma pronominal, deve ser usado com preposição: Esqueci-me do meu livro de história.

 

Querer

Com o sentido de desejar não exige preposição:

Quero ficar em casa hoje.

 

Com o sentido de estimar exige preposição:

Queria muito aos meus companheiros de trabalho.

 

 

Aspirar

Apresentando  o sentido de respirar ou absorver não exige preposição:

Aspirou todo o ambiente

 

Apresentando  o sentido de pretender exige preposição:

Aspirou ao cargo de supervisor.

 

 

Informar

O verbo é transitivo direto e indireto, sendo  assim,  exige um complemento sem e outro com preposição:

Informei o fato aos professores.

 

Ir

O verbo ir é regido pela preposição “a”:

Vou à praia.

 

 

Implicar

Apresentando o sentido de consequência, o verbo implicar é transitivo direto e  não exige preposição:

O seu pedido implicará um novo prazo de entrega.

 

Apresentando o sentido de embirrar, é transitivo indireto e  exige preposição:

Implica com tudo!

 

Morar

É  regido pela preposição “em”:

Mora no sul do estado.

 

 

Namorar

É  transitivo direto, embora as pessoas usem  sempre seguido de preposição:

Namorou a Carina  durante anos.

 

"Namorou com a Carina  durante anos" não é gramaticalmente aceito.

 

 

Preferir

É transitivo direto e indireto.

Prefiro salada a carne.

 

 

Simpatizar

É  transitivo indireto e exige a preposição "com":

Simpatiza com os vizinhos do bairro.

 

 

Chamar

       Apresentando  o sentido de convocar não exige complemento com preposição:

Chama o diretor!

 

      Apresentando o sentido de apelidar exige complementos com e sem preposição:

Chamou ao amigo de Mauricinho.

Chamou amigo de Mauricinho.

Chamou ao amigo Mauricinho.

Chamou amigo Mauricinho.

 

Pagar

Quando informamos o que pagamos o complemento não tem preposição:

Paga o caderno?

 

Quando informamos a quem pagamos o complemento exige preposição:

Paga o caderno ao balconista.