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quarta-feira, 3 de junho de 2020

O gênero textual diário


O gênero textual Diário


Diário é um tipo de texto pessoal em que  as pessoas contam suas  experiências, ideias, opiniões, sonhos,  sentimentos e situações do dia a dia.



Apesar de não ser comum atualmente, algumas pessoas ainda utilizam o diário para produzir seus textos.

A linguagem é informal e despreocupada e os textos são escritos em forma de diálogo, como se a pessoa estivesse conversando com o diário.

Características do Diário

Relatos pessoais
Nos diários são registrados os relatos pessoais sobre os mais diversos acontecimentos.

Histórias verídicas
As histórias escritas no diário refletem fatos reais, ou seja histórias verdadeiras.

Escritos em primeira pessoa
Os textos são escritos em primeira pessoa, já que se tratam de relatos pessoais.

Registros em ordem cronológica
Como o próprio nome diz, no diário são registrados os fatos de cada dia, por isso seguem uma sequência cronológica.

Caráter intimista e confidente
Nos diários é possível revelar os segredos e confessar sentimentos, já que ele não será lido por outras pessoas.

Subjetividade e espontaneidade
Quem registra seus momentos no diário, pode ser espontâneo e expressar livremente suas opiniões.

Vocabulário simples
A liberdade de expressão é uma das marcas do diário, a linguagem utilizada é simples,  direta e informal.

Presença de vocativo
Como os textos são escritos em forma de diálogo, o vocativo está presente. O mais comum é "Querido diário".

Textos assinados
Os textos do diário são assinados por quem escreve.


Estrutura Textual: Quais as partes do diário?

A estrutura do diário não é fixa, mas costuma seguir o padrão:
Data e Local:
São registradas no início do texto o local e a data em que foi escrito, como em uma carta.

Vocativo:
Aparece logo  no começo do texto como: “querido diário”, “querido amigo diário”. Algumas pessoas  preferem inventar um nome fictício para ele, como se fosse um amigo.

Corpo de Texto:
É  onde  o texto se desenvolve.  

Assinatura:
Em geral,  os diários são escritos diariamente. No final do texto, aparece o primeiro nome do autor com alguma expressão de despedida: “boa noite”, “abraços”, “até amanhã”.

Exemplo de diário:

Barra Mansa, 28 de maio de 2020.

Querido diário,

Meu dia hoje foi maravilhoso! Finalmente realizei meu sonho de me matricular no curso de inglês.
O curso fica aqui pertinho de casa e eu poderei ir sozinha mesmo. Minha mãe diz que eu sou muito responsável e já não preciso da companhia dela o tempo inteiro.
A professora é incrível! Tive a oportunidade de conversar um pouquinho com ela enquanto a minha mãe cuidava da minha matrícula.
Estou ansiosa para conhecer a minha turma, mas vou ter que esperar até sexta-feira, que é quando as minhas aulas começam.
Bem, é isso, depois eu te conto como foi tudo.

Até amanhã!

Mariana.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O gênero textual notícia




O gênero textual notícia

Notícia é um gênero textual jornalístico  que está presente em nosso dia a dia.

É  um texto informativo sobre um tema atual ou algum acontecimento, divulgada  pelos principais meios de comunicação: jornais, revistas, televisão, rádio e internet.

Como as  notícias são informativas, podem apresentar  textos descritivos e narrativos ao mesmo tempo, mostrando o tempo, espaço e as personagens envolvidas.




As principais características da notícia

Texto de cunho informativo

O principal objetivo da notícia é transmitir informações

Textos descritivos e/ou narrativos

Para que o leitor compreenda a notícia, os textos além de narrarem os fatos, apresentam uma descrição do local e das pessoas envolvidas.

Textos relativamente curtos

Como o objetivo da notícia é apenas transmitir informações, os textos são curtos e objetivos.

Veiculado nos meios de comunicação

Para que as pessoas tomem conhecimento dos fatos, as notícias são divulgadas nos mais diversos meios de comunicação.

Linguagem formal, clara e objetiva

As notícias são destinadas ao público de todas as idades, graus de escolaridade e níveis sociais, por isso deve apresentar uma linguagem simples, de fácil compreensão e ao mesmo tempo clara e objetiva.

Textos com títulos (principal e auxiliar)

As notícias apresenta  o título principal, que traz a chamada e o auxiliar, que complementa a informação trazida no título principal.

Textos em terceira pessoa (impessoais)

A notícia é impessoal e não deve refletir a opinião de quem escreve, para isso, deve ser utilizada a terceira pessoa.

Discurso indireto

Na notícia é relatado um fato que já ocorreu, por este motivo, utiliza o discurso indireto para reproduzir a fala das pessoas envolvidas.

Fatos reais, atuais e cotidianos
A notícia aborda os acontecimentos mais recentes  para que o público leitor esteja     sempre bem informado sobre tudo o que acontece.

A estrutura da notícia

Título Principal e Título Auxiliar

A notícia é formada por dois títulos, sendo um principal, que também é  chamado de Manchete, e resume  o tema que será abordado, e outro um pouco maior que ajuda no entendimento do título principal, ou seja, é um recorte do assunto que será explorado, por exemplo:

Campeonato Brasileiro de 2020 (Título Principal)
Times brasileiros se preparam para  a competição (Título auxiliar)

Lide

A  Lide é a  introdução da notícia, portanto, é  o  primeiro parágrafo onde serão respondidas as perguntas: O Que? Quem? Quando? Onde? Como? Porquê?

É o  parágrafo  em que todas as informações que estarão contidas na notícia deverão aparecer. É a parte mais importante, pois desperta a atenção do leitor para a notícia.

Exemplo:

O Campeonato Brasileiro se aproxima e os times de todo o país seguem em treinamento intensivo preparando os seus jogadores para a competição. As equipes prometem divulgar em breve a lista dos atletas escalados.

Corpo da Notícia

Aqui  será apresentada a notícia com descrições mais detalhadas.

Exemplo:

Enquanto isso,  A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Comissão Nacional de Clubes (CNC), órgão estatutário da entidade com atuação independente, informam que na tarde desta sexta-feira, 17, em reunião por videoconferência com a presença de 31 clubes, foi concluída a primeira fase do processo de seleção das empresas para exploração dos direitos internacionais de transmissão do Campeonato Brasileiro, Séries A e B, e os direitos internacionais para streaming for betting.

A decisão foi tomada com o voto exclusivo dos clubes após minucioso trabalho coordenado e apresentado por um grupo técnico formado por dirigentes dos times. O processo de seleção foi iniciado há mais de 10 meses e marcado pela união da CBF e dos clubes para definições estratégicas em relação à projeção do Campeonato Brasileiro no exterior. A CBF abriu mão de qualquer participação econômica no contrato em favor dos clubes.



sexta-feira, 20 de março de 2020

O gênero textual blog


O gênero textual blog


O gênero textual Blog é amplamente utilizado na internet e serve como meio de comunicação virtual. 

Uma das características do blog é exercer a função de diário pessoal, onde são publicados acontecimentos, fatos, ou até mesmo sentimentos.




Os blogs são páginas da internet onde os blogueiros divulgam suas informações ou outros assuntos relacionados aos mais diversos temas. 


Características do blog 

O blog é gratuito e pode ser criado por qualquer pessoa; 

Os blogs podem ser pessoais, literários, artísticos, de moda, educação, notícias, profissionais ou sobre qualquer outro assunto; 

Neles, podem ser inseridas imagens, músicas, vídeos...Portanto, o blog utiliza tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. 

A escolha da linguagem utilizada dependerá do tipo de blog e do público que irá acessá-lo. Uma página profissional, por exemplo, deverá utilizar uma linguagem mais formal e uma pessoal, do tipo diário, poderá utilizar uma linguagem mais acessível e informal. 

O blog pessoal

Nas páginas pessoais, o autor escreve sobre seu dia, experiências pessoais e sentimentos. 

Uma das grandes utilidades do blog é transmitir informações e conhecimento aos leitores, como é o caso dos utilizados para os estudos. 

Nos blogs, os leitores podem interagir com o autor, fazendo comentários nas postagens dos artigos. A interação é uma das principais características desse gênero textual. 

Quanto ao tipo de texto, as possibilidades são muitas: eles podem ser narrativos, descritivos, dissertativos, argumentativos ou até mesmo expositivos. 

As postagens aparecem em ordem cronológica e podem ser divididas e classificadas de acordo com os meses em que foram publicadas. 

Outro fato importante é que nas postagens, aparecem o nome do autor, a data e hora em que foram publicadas. 

Você já possui um blog ou pensa em criar um? Deixe aqui nos comentários que tipo de blog você criaria.





segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Questões sobre variações linguísticas


Questões sobre a variação linguística

1. Enem 2013


Até quando?

Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!

GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo).
Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto:
a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.

c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.

d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.

e) originalidade, pela concisão da linguagem.





2. Enem 2012

Texto I
Antigamente
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua, nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.

ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento).

Texto II

Expressão                                    Significado

Cair nos braços de Morfeu           Dormir

Debicar                                          Zombar, ridicularizar

Tunda                                            Surra

Mangar                                          Escarnecer, caçoar

Tugir                                              Murmurar

Liró                                                Bem-vestido

Copo d'água                           Lanche oferecido pelos amigos

Convescote                                    Piquenique

Treteiro de topete                           Tratante atrevido

Abrir o arco                                     Fugir

Bilontra                                            Velhaco

FIORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado).

Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que: 

a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.

b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu.

c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.

d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente.

e) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada


3. Enem – 2014

Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo pra xaxar

Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar.

Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raque
Diz que tou aqui com alegria.

(BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em <www.luizluagonzaga.mus.br> Acesso em 5 mai 2013).

A letra da canção de Antônio Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma do falar popular regional é: 

a) “Isso é um desaforo”

b) “Diz que eu tou aqui com alegria”

c) “Vou mostrar pr’esses cabras”

d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”

e) “Vem cá, morena linda, vestida de chita


4. Enem 2014

Em bom português
No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada (aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim:

– Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem.

Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saberão dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher.

SABINO, Fernando. Folha de S. Paulo, 13 abr. 1984 (adaptado).

A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa característica da língua, evidenciando que:

a) o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas.

b) a utilização de inovações no léxico é percebida na comparação de gerações.

c) o emprego de palavras com sentidos diferentes.

d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos identificadores da classe social a que pertence o falante.

e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões.


5. Enem 2015

Assum preto

(Baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
Tudo em vorta é só beleza
Sol de abril e a mata em frô
Mas assum preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do assum preto
Pra ele assim, ai, cantá mió
Assum preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil veiz a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá.

As marcas da variedade regional registradas pelos compositores de Assum preto resultam da aplicação de um conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado de uma mesma regra, a:

a) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”.

b) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”.

c) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá”.

d) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata em frô”.

e) pronúncia das palavras “ignorança” e “avuá”.


6. Unicamp 2017

No dia 21 de setembro de 2015, Sérgio Rodrigues, crítico literário, comentou que apontar um erro de português no título do filme Que horas ela volta? “revela visão curta sobre como a língua funciona”. E justifica:

“O título do filme, tirado da fala de um personagem, está em registro coloquial. Que ano você nasceu? Que série você estuda? e frases do gênero são familiares a todos os brasileiros, mesmo com alto grau de escolaridade. Será preciso reafirmar a esta altura do século 21 que obras de arte têm liberdade para transgressões muito maiores?

Pretender que uma obra de ficção tenha o mesmo grau de formalidade de um editorial de jornal ou relatório de firma revela um jeito autoritário de compreender o funcionamento não só da língua, mas da arte também.”

(Adaptado do blog Melhor Dizendo. Post completo disponível em http:// www melhordizendo.com/a-que-horas-ela-volta-em-que-ano-estamos-mesmo/. Acessado em 08/06/2016.)

Entre os excertos de estudiosos da linguagem reproduzidos a seguir, assinale aquele que corrobora os comentários do post.

a) Numa sociedade estruturada de maneira complexa a linguagem de um dado grupo social reflete-o tão bem como suas outras formas de comportamento. (Mattoso Câmara Jr., 1975, p. 10.)

b) A linguagem exigida, especialmente nas aulas de língua portuguesa, corresponde a um modelo próprio das classes dominantes e das categorias sociais a elas vinculadas. (Camacho, 1985, p. 4.)

c) Não existe nenhuma justificativa ética, política, pedagógica ou científica para continuar condenando como erros os usos linguísticos que estão firmados no português brasileiro. (Bagno, 2007, p. 161.)

d) Aquele que aprendeu a refletir sobre a linguagem é capaz de compreender uma gramática – que nada mais é do que o resultado de uma (longa) reflexão sobre a língua. (Geraldi, 1996, p. 64.)


7. ENEM

Só há uma saída para a escola se ela quiser ser mais bem-sucedida: aceitar a mudança da língua como um fato. Isso deve significar que a escola deve aceitar qualquer forma de língua em suas atividades escritas? Não deve mais corrigir? Não!

Há outra dimensão a ser considerada: de fato, no mundo real da escrita, não existe apenas um português correto, que valeria para todas as ocasiões: o estilo dos contratos não é o mesmo dos manuais de instrução; o dos juízes do Supremo não é o mesmo dos cordelistas; o dos editoriais dos jornais não é o mesmo dos dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. Ou do de seus colunistas.

(POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua Portuguesa, ano 5, n. 67, maio 2011 – adaptado).

Sírio Possenti defende a tese de que não existe um único “português correto”. Assim sendo, o domínio da língua portuguesa implica, entre outras coisas, saber

a) descartar as marcas de informalidade do texto.

b) reservar o emprego da norma padrão aos textos de circulação ampla.

c) moldar a norma padrão do português pela linguagem do discurso jornalístico.

d) adequar as formas da língua a diferentes tipos de texto e contexto.

e) desprezar as formas da língua previstas pelas gramáticas e manuais divulgados pela escola. 


8. ENEM 2016

De domingo
— Outrossim?
— O quê?
— O que o quê?
— O que você disse.
— Outrossim?
—É.
— O que que tem?
—Nada. Só achei engraçado.
— Não vejo a graça.
— Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.
— Ah, não é.Aliás, eu só uso domingo.
— Se bem que parece uma palavra de segunda-feira.
— Não. Palavra de segunda-feira é óbice.
— “Ônus.
— “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.
— “Resquício” é de domingo.
— Não, não. Segunda. No máximo terça.
— Mas “outrossim”, francamente…
— Qual o problema?
— Retira o “outrossim”.
— Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás, é uma palavra difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.

(VERÍSSIMO. L.F. Comédias da vida privada. Porto Alegre: LP&M, 1996).

No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o (a):

a) marcação temporal, evidenciada pela presença de palavras indicativas dos dias da semana.

b)  tom humorístico, ocasionado pela ocorrência de palavras empregadas em contextos formais.

c) caracterização da identidade linguística dos interlocutores, percebida pela recorrência de palavras regionais.

d) distanciamento entre os interlocutores, provocado pelo emprego de palavras com significados poucos conhecidos.

e) inadequação vocabular, demonstrada pela seleção de palavras desconhecidas por parte de um dos interlocutores do diálogo.


9. ENEM 2016
Texto I

Entrevistadora — Eu vou conversar aqui com a professora A.D. … O português então não é uma língua difícil?

Professora — Olha se você parte do princípio… que a língua portuguesa não é só regras gramaticais… não se você se apaixona pela língua que você… já domina… que você já fala ao chegar na escola se teu professor cativa você a ler obras da literatura… obra da/ dos meios de comunicação… se você tem acesso a revistas… é… a livros didáticos… a… livros de literatura o mais formal o e/ o difícil é porque a escola transforma como eu já disse as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.

Texto II

Professora — Não, se você parte do princípio que língua portuguesa não é só regras gramaticais. Ao chegar à escola, o aluno já domina e fala a língua. Se o professor motivá-lo a ler obras literárias e se tem acesso a revistas, a livros didáticos, você se apaixona pela língua. O que torna difícil é que a escola transforma as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.

(MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001)

O texto I é a transcrição de entrevista concedida por uma professora de português a um programa de rádio. O texto II é a adaptação dessa entrevista para a modalidade escrita. Em comum, esses textos

a)  apresentam ocorrências de hesitações e reformulações.

b)  são modelos de emprego de regras gramaticais.

c)  são exemplos de uso não planejado da língua.

d) apresentam marcas da linguagem literária.

e) são amostras do português culto urbano.


10. ENEM 2016

Mandinga — Era a denominação que, no período das grandes navegações, os portugueses davam à costa ocidental da África. A palavra se tornou sinônimo de feitiçaria porque os exploradores lusitanos consideram bruxos os africanos que ali habitavam — é que eles davam indicações sobre a existência de ouro na região. Em idioma nativo, mandingdesignava terra de feiticeiros. A palavra acabou virando sinônimo de feitiço, sortilégio.

(COTRIM, M. O pulo do gato 3. São Paulo: Geração Editorial, 2009. Fragmento)


No texto, evidencia-se que a construção do significado da palavra mandinga resulta de um (a)

a)  contexto sócio-histórico.

b) diversidade técnica.

c) descoberta geográfica.

d) apropriação religiosa.

e) contraste cultural.



Gabarito:

1. D

2. E

3. C

4. B

5. B

6. C

7. D

8. B

9. E

10. A